terça-feira, 27 de março de 2018

Diário de um grevista


Terça-Feira, vinte e sete de Março de dois mil e dezoito. Às onze e meia estou sentado no banco do trem sentido Luz, no estomago a sensação de que algo não está certo, ansiedade e insegurança sentam-se ao meu lado e brindam minha aflição. Não foi assim desde o início, na verdade, há duas semanas tudo estava diferente.
Quando a greve iniciou havia empolgação, juventude dos primeiros dias de movimento, a novidade é empolgante e nos faz sentir escritores da própria história. O encontro com amigos de outros tempos e lugares trás força e aumenta a motivação: “Em frente, À luta”, faz parte do DNA do explorado a resistência, por vezes, falta apenas à fagulha, e acenderam. Acenderam, agredindo com bombas, gás e palavras, humilharam aqueles que lutavam. No dia seguinte éramos muito mais.
Neste momento a família apóia, os amigos demonstram orgulho e você segue. Vem sol, vem chuva e vem muita chuva, passeatas, boatos, noticias verdadeiras e falsas, o Governo não recua/ou recua?, desinformação nos grupos, a imprensa divulga e a imprensa omite, a imprensa mente, mas você segue.
Na segunda semana você descobre que vários colegas já ligaram no local de trabalho e estão inclinados a desistir, os amigos já mudaram o tom e perguntam: “Essa Greve não vai acabar não?”. A família já inicia as cobranças: “Você tem que ir de novo?”, “Mas fulano vai? E Beltrano? Só você que vai em todas?”, “E como vai ficar esses dias?”. Aí amigo você começa a questionar, faz contas e percebe que seu recesso já se escafedeu, um desconto dos dias parados seria desastroso para sua organização pessoal e você começa a duvidar da possibilidade da vitória e considerar se as “alterações” propostas não atenuam a maldade que querem lhe aplicar, o cansaço bate forte. Fazer greve é um caminho extremamente solitário por mais companheiros que tenhamos ao lado.
Até que chega vinte sete de março... Desembarco no Anhangabaú e os movimentos das pessoas vão espantando a desesperança, são milhares mais uma vez, já é uma da tarde e as representações sindicais falam do alto dos caminhões, “a votação começa as três” e você fica, acredita, canta e esquece o medo por alguns momentos, a sessão foi cancelada e “agora é as seis”, se precisar ficar até a meia noite vamos ficar e amanha tem mais”. Você não é mais uma pessoa, é uma força indo em frente, não resta muita esperança nem medo, apenas a resistência, não dobrar os joelhos se torna a meta final. As dezoito é anunciada uma vitória parcial e você fica inerte e depois comemora, meio sem jeito.
Mas dessa vez percebe que vai poder levar algo pra casa alem do seu orgulho, uma vitória!
Talvez o final pudesse ter sido diferente, pois numa luta desigual nem sempre vencemos, mas o importante de verdade é que haveria a dignidade da luta, como houve. Chego cansado, mas feliz, pois no eco de mais de cem mil vozes eu fui um tom a mais.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A porta dos desesperados e Lula

  



 Quando menino uma das minhas atrações favoritas na televisão era a “Porta dos desesperados”, quadro de um programa nada politicamente correto (a começar pelo nome), “A hora do capeta”, apresentado pelo amado e odiado Sergio Malandro. Enfim, era um quadro simples, no qual um participante do programa era chamado ao palco e provocado pelo apresentador a fazer diversas ações, como se jogar no chão, gritar, rolar e etc. Tudo isso, para ter a chance de escolher entre quatro portas, das quais somente uma escondia um premio e as demais continham criaturas e monstros assustadores. Cá entre nós, pra quem estava do lado de fora da TV, torcíamos para vir o monstro.
   Lembrei-me desse quadro ao acompanhar as ultimas noticias referentes ao ex-presidente Lula. Veja bem, Sergio Moro vem descarregando uma série de delações premiadas e indícios que provavelmente vão levar o Lula Silva a sua segunda condenação. Pois bem, não estou aqui para definir culpa, defender um lado ou promover outro. Na minha humildíssima opinião as acusações são verídicas, crimes sim, indefensáveis e cometidos na perspectiva da impunidade até então natural e quase inerente a classe política.
   Mas o que mais me preocupa e aqui vou tentar fazer a ligação entre os dois parágrafos acima é que Lula não está mais lá e tudo que emergiu ao poder após ele parece ter cometido os mesmos tipos de delitos e pior, passando impune, violentando os trabalhadores e arrochando os descamisados. Trouxeram também um quê de fascismo, obscureceram as perspectivas, deixamos novamente de comprar casa, de cursar faculdade e sequer emprego se tem. Luís tem sua parcela de culpa nisso também, fato.
   Porém, com a aproximação das eleições e a falta de novas possibilidades (a esquerda se mostra inábil a produzir figuras capazes de arrebatar as esperanças e a direita apela ao extremismo “boçalnariano”) começo a vislumbrar Serginho Malandro pedindo aos eleitores que gritem, pulem, se joguem no chão e etc. E que no fim das contas, entre os monstros escondidos atrás de cada porta, Lula acabe se parecendo com o Gorila e que entre as bizarrices que podem saltar a nossa frente se torne o menos assustador.
O fato é que atras dessas portas, não há premio escondido!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

NOVOS HERÓIS BRASILEIROS

Desde a queda do muro de Berlim o Brasil andava desprovido de personalidades heroicas. Nesse período a marginalidade e a crueldade se estabeleceram de maneira generalizada, a bandalheira se espalhou. Graças as energias desprendidas de corações ansiosos por justiça nas ultimas eleições, ressurgiram os protetores da terra Tupiniquim. Segue as descrições, para que você decida a quem apelar nas horas de apuros. 


CAPITÃO REAÇA

Movido por comovente amor à Pátria esse paladino ressurgiu para salvar a nação da barbárie e da subversão.

Lema: Morte aos violentos!

Alter Ego: Apesar de preservar sua identidade em sigilo, sabe-se que prestou serviços militares, estudou em colégios particulares e possui alguma graduação nas áreas de exatas. Provável micro-empreendedor. Suas aparições são mais recorrentes no Sul e Sudeste do Brasil. Defensor da moral, religião, ética e justiça (afirmam suas amantes).

Uniforme: Azul e amarelo. Não usa mascara, apenas um bigodinho no estilo Alemão.

Principais Armas e Técnicas: Habilidade com cassetete; Bombas de efeito moral; Balas de borracha; Choque genital e Contato corpo a corpo.

Pontos Fracos: Alérgico a Nortistas, Nordestinos e Bolsas.

Alimento Preferido: Coxinha.

Participa da Coligação Heroica: PSDB (Praticantes da Direita Sagrada Bolsonarista).

Ultima Postagem no Face: “Nada como dar uma esculachada nos vagabundinhos do farol, para que reflitam, voltem pra escola, trabalhem e conquistem. Constituam famílias e passem as férias na Disney, como todo brasileiro esforçado pode fazer. #équestaodequerer





LANTERNA VERMELHA
Valente protetor dos desprovidos de renda, esse herói tem como destino promover a igualdade e a justiça.

Lema: Pela divisão do trabalho. Eu fico com o intelectual.

Alter Ego: Sua origem é desconhecida. Especulam que é um ex-aspirante a intelectual, que teve sua carreira interrompida antes de finalizar a leitura de “O Capital”. Oriundo das camadas populares, enfrentou problemas físicos desde o nascimento. A principio não possuía visão periférica, de 2002 para cá perdeu totalmente a capacidade de enxergar.

Uniforme: Vermelho e Preto. Com touca ninja e tapa-olhos.

Principais Armas e Técnicas: Pedradas, Tiros de rojão, camuflagem, Discursos acalorados e Aglomerações Vacilantes.

Pontos Fracos: Teimosia na defesa de aliados duvidosos e fast-foods.

Alimento Preferido: Coca-Cola

Participa da Coligação Heróica: PT (Pragmatismo Teórico).

Ultima Postagem no Face: “Melhor que isso????!!!!! Apedrejar um patrimônio público, xingar um milicos e encerrar a noite com os companheiro em uma pilha de Big Mc’s” #vivalarevolucion










domingo, 9 de agosto de 2015

Pai, amor que doí!

     É estranho, mas o Amor, considerado o mais sublimes entre os sentimentos, geralmente é associado a sensações bucólicas. Trata-se de um sentimento amplo, mas simples. Poderoso, mas altruísta. Gratuito, mas incomprável e etc, etc, etc. Porém, quase nunca ouvimos falar do amor como causador de dor, às vezes sua não correspondência atinja algum nível de frustração, no máximo, mas doer é atributo de outros sentimentos.
Discordo totalmente, pois creio que em alguns graus de elevação ou modalidade o amor pode ser totalmente doloroso, até fisicamente. Não sei dizer o motivo certo, mas o amor que carrego por mau pai tem um quê de dor inexplicável e antes que o leitor pense que isto está ligado a alguma sensação de abandono, violência, desrespeito, sei lá, já adianto que papai é e foi um titânico em amor e cuidados comigo.
     Pra não cansar a ninguém, pois a maiorias de nós tem ou tiveram pais e seus perfis são parecidos em vários aspectos, preciso explanar um pouco o meu:
     Papai é um moreno as seis da tarde que ficou órfão de mãe cedo. Teve de aprender nas vilas de casas a guardar um pouco do frango de hoje pro almoço de amanhã. Teve pouca oportunidade de estudo, cursou até o quarto ano, sendo sempre um destaque positivo e ambidestro das escolas que frequentou na Vila Matilde. Cedo começou a trabalhar e encontrou a profissão na funilaria, ramo que exerce até hoje. Também cedo se casou com mamãe, tendo um pouco mais que alguns pratos como mobília. Até que eu nascesse vieram três irmãs, o que pesou no bolso daquele brasileiro que pagava pontualmente seu aluguel, pelo que sei isso alterou seu humor por algum período. Pouco depois deu nascer, logo nossa casa ficou pronta e papai foi com os anos se tornando mais pacato e até resignado. Quem o conhece hoje em dia inevitavelmente acaba repetindo as expressões: Como seu pai é tranqüilo, ele quase não fala, ele é na dele, etc.
     Às vezes tento explicar a dor que me aperta e até me molha os olhos sempre que penso nele por algum viés racional. Lembro que me tortura a ideia de pensar que mesmo após mais de trinta e poucos anos em um trabalho pesado e doloroso ainda não tenha conseguido se aposentar, e eu como filho não poder arcar com suas custas para vê-lo descansar. Ou talvez, por puro saudosismo de uma infância passada, ou de alguma forma querer recompensar sua história de luta... Não sei. Mas acho que não é tão lógico assim esse amor homérico que carrego por esse homem.
     O fato é que pensar em meu pai dói o peito duma forma que jamais outra pessoa causou esse sentimento. Acho que tenho em meu velho um ídolo de infância, que com os anos foi se tornando cada dia mais mortal e humano, meu Deus! Talvez a simples ideia subjetiva de que um dia posso não estar assistindo os jogos da rodada ao lado do melhor amigo que a vida pode me ofertar seja insuportavelmente dolorosa. Como se sentisse saudade de alguém presente, vai entender. Acho que nessa questão vou ter de apelar ao meu pai.


- Pai, porque que amor dói?

Pai de Clarice


sábado, 28 de março de 2015

CONFISCO IDEAL

E tu professas por protestos, por direitos manifestos de ter respeito. Então expõe e fica exposto, como se mosto a fermentar. A gente opina, desanima, recrimina e ajuíza, quem é que fala quando a água só fervilha?

E eu professo a minha fé e o meu conceito, muros do meu lar, tento observar na minha casa o que entra e quem que sai. Pois minha filha compartilha, o prato, a roupa, o trato e os ideais de além nós, então eu digo à sujeição que me impõe: Não!

E professamos por nossa alma, essa sina de impor nossa retina nolho alheio, de ter receio que nos vençam. Fado humano quando rivaliza, desumaniza. Vencer, convencer e não convalescer.

E o mundo professa a batalha eterna de não ser desintegrado pelo que o constitui. Campos de idéias e campos de guerra, traumas e rumores. Sempre além que deviam ser, pois em tese todos ideais se apoiam no amor d’alguma causa, não deveria causar tanto rancor.


Era pra ser só cada qual trançar seu fio pela meada a desejar.

Pai de Clarice


sábado, 14 de março de 2015

DE LONGE

Como se pode amigo
Se abraço é laço o desfaçam
Embalam saudades as redes
Que de tão sociais apartam

Como se fala distante
Quando falta ao peito toque
Brindar de riso e fala
O barulho da casa quer alma

Como se canta dueto
Sem ares de par tristeza
A busca paulista incessante
Calores de Fortaleza


Pai de Clarice








sábado, 22 de novembro de 2014

MALABAVIDAS

Ao brincar com a gravidade, ele: "O malabares", faz como a criança a dança da liberdade. Pois ambos partem de voos curtos, pequenos passos. Seja uma laranja subindo ao espaço ou uma bola rolando o chão.

No balé do descompasso sempre há alguns tropeços, seja por pressa, seja por medo. O fato é que essa gravidade é um desacato e não entrega nada de bom grado, faz da criança e malabares aprendizes do erro.

Os pinos no ar e a criança no chão. A Arte e as artes!  Faz parte. E vai ficando mais bonito, o ritmo sobe e pés e mãos agora tem donos, são instrumentos da imaginação e já não buscam voos baixos, procuram a perfeição.

Um palco, um lugar ao sol, mesmo que poucos vejam, JAMAIS no farol. Pois o artista é uma criança e a criança é o artista, especialista no ramo de brincar com as esperanças. E merecem um bom espaço para apresentar seu show. Se não houver palanque, que se faça um picadeiro no coração de cada um que o amou.


Pai de Clarice





domingo, 16 de novembro de 2014

O trabalho infantil nas creches do Brasil


     Por mais um ano consecutivo a Prefeitura de São Paulo garantiu o atendimento ininterrupto nos CEIs (Centros de Educação Infantil), para crianças de zero a quatro anos que estejam regularmente matriculadas e cujos pais optarem pelo atendimento sequenciado (PORTARIA Nº 6.501/2014 DE 14/11/2014). Segundo o texto desta portaria estamos “considerando, ainda, que a mesma legislação e as normas reconhecem que muitas famílias podem necessitar de atendimento ininterrupto de suas crianças” desde que “essa demanda, quando comprovada, deve ser atendida”. Ou seja, as famílias que mediante algumas especificações se provarem trabalhadoras ou impossibilitadas de estar com seus filhos, podem sim, exigir que eles frequentem as creches públicas 12 meses por ano, sem férias.
     Observando esse quadro podemos fazer algumas analogias. Estive relendo alguns materias e lendo outros para subsidiar este texto e olha o que encontrei em um artigo do site mundoeducacao.com em relação ao trabalho infantil durante a revoluçao industrial (antes das leis trabalhistas burguesas): A vida nas cidades alterou completamente esse panorama das relações de trabalho familiares. Ao passar o dia nas fábricas, os pais perderam o convívio com seus filhos (...)  as crianças, além de perderem o contato com a natureza e se depararem com um cenário urbano que se diferenciava da paisagem natural das zonas rurais, também foram atingidas pelas transformações nas relações de trabalho”.
     Cenário parecido ao atual e se levarmos em consideração que neste período as crianças passavam os dias nas fábricas, ocupadas em afazeres considerados menos importantes (não menos perigosos) e hoje passam os dias em instituições de ensino, a história não é muito diferente, nossa relação com as crianças seguem sendo regidas pelos interesses do mercado. Porém, naquele período não existiam duas instituições que hoje deveriam reger a nossa relação com as crianças e o trabalho. A primeira é a noção e o conhecimento de infância que temos hoje, a segunda são as leis que regem o trabalho, que deveriam garantir um mínimo convívio familiar para pais e filhos.
     Observar esse cenário pela ótica das crianças chega a ser cruel. Uma vez que a média diária de um aluno na escola de educação infantil (creche) é de dez horas diárias (das sete as dezessete) de segunda a sexta feira, isso resulta numa jornada semanal de cinquenta horas, enquanto um trabalhador sob as leis do ministério do trabalho é de no máximo oito horas diárias mais quatro adicionais, ou seja, quarenta e quatro horas semanais. Também é garantido aos trabalhadores o direito a férias remuneradas, décimo terceiro salário, vale alimentação e horário de almoço, entre outros. Sabemos que na pratica alguns desses direitos se perdem, mas há um estatuto de proteção ao menos.
     Então a questão que grita é “Quais são os direitos das crianças que frequentam creches?”, existe grande abismo entre os pequenos enfurnados nas carvoarias ou pedreiras e aquelas submetidas a regimes diários em instituições governamentais doze meses por ano? Aqueles que convivem com a rotina diária percebem o stress e angustias que afligem bebês e crianças, pois por melhores preparados e intencionados que estejam professores e unidades escolares, a ausência crescente do convívio familiar abre uma lacuna de afetividade que interfere diretamente na formação destas subjetividades. A instituição não é o lar, não tem potencial familiar e muito menos o aconchego dos responsáveis, da família, seja esta como for.
     Enfim, demos mais um passo atrás em relação a nossa infância, observando que esta Portaria do município de São Paulo não está na contramão da tendência atual, pelo contrário, segue a lógica da regressão da educação infantil para serviço social. Poderíamos estar pensando em formas de garantir que pais e filhos compartilhassem períodos concomitantes de descanso, mas preferimos repetir nossos erros históricos. Uma pena, pois hoje eles perderam suas férias, amanha perdem os feriados, os finais de semana, e sabe se mais o que. Esta é a rotina dessas crianças com jornada de trabalhadores sem direitos, sem voz para se defenderem e sem direitos constitucionais... Que frutos essa geração de filhos do estado nos dará?

Pai de Clarice



sábado, 25 de outubro de 2014

QUE CADA UM VOTE COM SUA HISTÓRIA DE VIDA


     Amanha é o dia da eleição mais “cornetada” dos últimos tempos em terras tupiniquins, isso tudo graças às redes sociais que se democratizaram e estão nas casas de muitos brasileiros. Percebo  entre meus amigos quais muitos diziam odiar a política, que hoje posicionam, se expõe e alguns até arriscam colocações especialistas com comentários abalizados por personalidades e etc. Mas não estou aqui para fazer criticas ou elogios aos meus convivas, mas sim, para deixar minha opinião sobre o que pode levar cada um a decidir o seu voto.

     Como já falei no titulo deste texto creio que cada indivíduo vota com a sua história de vida, pois apesar do Brasil ter levado mais de quinhentos anos para se configurar como hoje está e de não podermos reduzir seus fracassos e sucessos aos últimos vinte anos (PSDB/PT) é impossível desvincular aquilo que vivemos em nossos dias recentes na escolha nas urnas de amanha.

     Então vou falar um pouco da minha história partícula e nuclear, que envolve alguns de meus parentes, amigos e vizinhos. E entendam, explicar meu voto não significa que este seja um texto de militância:

 “Pois bem, em 2001 terminei os meus estudos no colégio estadual  Apparecida Rahal, naquele momento universidade não era um objeto muito plausível para pessoas na minha condição financeira, mesmo assim arrisquei-me a fazer algumas pesquisas. Fui até a Unicastelo (a mais acessível e próximo a minha residência), estava interessado em biologia, mas quando recebi o folder,minhas poucas esperanças desceram ralo abaixo. O preço era algo em torno de R$ 380,00 a mensalidade, já o meu salário de trabalhador informal (pois era assim que muitos jovens ingressavam no mercado de trabalho nestes tempos) era dez reais acima do mínimo quase R$ 180,00. A outra opção era a universidade pública, mas sabemos das condições desleais que um jovem formado nas escolas estaduais sofre para competir com os alunos dos grandes colégios particulares, reforçados por Anglos e Objetivos.

Fora isso, as condições na minha família também não eram das melhores, em casa éramos seis, meu pai, minha mãe e três irmãs mais velhas. Neste período, das minhas três irmãs, duas estavam desempregadas e quando arranjavam algo era geralmente temporário. Meu pai sustentava a casa com seu salário baixo e possuía um carro de 1984. Se a economia estava estável por um lado, com baixa inflação, por outro o nosso poder de compra era irrisório, bolacha, frios, danones e chocolates, esquece! A dispensa nunca ficou vazia graças a meu pai que sempre prezou por não faltar nada do básico (coisa de orgulho nordestino), mas de resto era um sufoco.

Pois assim tocamos a vida nestes tempos difíceis e tivemos de esperar dias melhores, não sei se pra você que lê estes dias chegaram, mas para minha família vieram. Em 2009 consegui em fim ingressar na universidade, a mesma Unicastelo que procurei anos atrás, só que agora eu tinha uma avaliação do Prouni e um salário acima de uma mensalidade escolar,  pagando metade do preço, não foi fácil, mas me tornei pedagogo. Porém, o mais legal para mim não foi essa conquista e sim ver ano passado o meu sobrinho de dezessete terminar o ensino médio e ingressar direto na universidade, sem essa demora e perda de tempo que eu e minhas irmãs tivemos (as três hoje estão cursando).

Seria egoísmo demais olhar somente fechado para o nosso umbigo, mas tenho vizinhos que partilharam na mesma situação a mesma condição e hoje alguns são engenheiros, outros nutricionistas e etc. Andam de carro zero, comem o que tem vontade, pagam sua casa ou apartamento como eu (tive subsidio federal para isto), e por ai vai.”

     Esse relato é um pouco das coisas que vi e vivi nestes últimos anos, percebo que nem tudo foram flores e merecíamos estar tendo um segundo turno amanha muito mais interessante do que se configurou. Mas, entre as opções que sobraram, jamais poderia ir contra a minha história, estarei com o PT e Dilma, mesmo com ressalvas e observações. Poderia ficar horas e inúmeras linhas falando das diferenças que encontro na minha vida de pobre hoje e a de pobre de quinze anos atrás, mas não tenho todo esse direito de lhes roubar tanto tempo assim. Também poderia falar como professor e a forma que o PSDB desrespeita e agride a nossa categoria, etc.

     Em suma, escrevi este texto para dizer que ficarei muito feliz se a minha convicção se confirmar com mais de cinquenta por cento das urnas amanha, porém o motivo maior é dizer que caso isso não aconteça eu respeitarei a democracia e não lançarei mão de criticas aqueles que não concordaram comigo, nem ficarei juntando pedras para tacar-lhes ao primeiro erro do seu candidato. Porém, peço o mesmo respeito aos meus adversários de urna, respeitem a história de cada um  caso seu voto não esteja do lado vencedor, se isso acontecer é por que talvez a sua história e sua opinião não são compatíveis com a historia e opinião daqueles que votaram do outro lado.

                                                                                                             
Um abraço!
Pai de Clarice






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sorri Antonio!

Ninguém disse que você era de aço?

Mas já disseram que o seu sorriso era de ouro

Ninguém disse que sua autoestima era inabalável?

Mas digo que seu caráter é firme!

 

E sobre as dívidas não pagas

Sobre as palavras não ditas, mas sentidas.

Sobre o olhar de desdenho?

Sorri Antônio!

Pois o vento que leva o equilibrista a lona

É o mesmo que oferece um novo prisma,

Outras possibilidades.

A queda machuca, muito!

 

E sobre a mesa vazia

Sobre o copo seco

Sobre as ausências dos convivas.

Sorri Antônio!

Seus pais sorriram.

Seu avô um dia sorriu, você não sabe.

Não ouça tua mãe dizer: Cala esta boca menino!

Sorri Antônio!

 

A lista de motivos é grande,

A de amigos, nem tantos, mas fieis.

Você fez por merecer cada sorriso contido.

Cada aluno agradecido

Faz do seu chuveiro plateia.

Sorri Antônio!

Homem também sorri

Seja ele forte ou fraco

Qualquer Antônio sorri,

Mesmo que doa.


Porque eu estarei sorrindo com você!
 
(A. Z. Silva e Pai de Clarice)
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Parabéns para mim

Eu quero um pote de doce
Uma volta na praça
Um beijo na maça do rosto
Eu quero um gosto

Eu quero som de palma batida
Poder esquecer a contagem
Zerar o relógio é pouco
Eu quero raspar massa do bolo

Cobertura ou recheio?
- Eu quero os dois!
Comer de garfo e colher
Carinho mãe e amor mulher

Eu quero esvaziar
Cantar em verso invertido
Ver meu time ganhar
Quero permissão pra gritar

Hoje eu quero hoje
Pensar dói e planejar cansa
Então eu quero rá-tim-bum

Happy birthday pra mim e obrigado to you


Pai de Clarice




sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um abraço Zé


A partida de um parente é sempre dolorosa, a sensação de vazio ocupa todo espaço e por muitos momentos ficamos pensando o sentido das coisas e a fragilidade da existência... Até que nos confortamos,aceitamos a ideia de que o descanso e a paz eterna alcançaram aquele que amamos.

Dessa vez, quem nos deixou foi o Zé. Para mim o Tio Zé. Não me lembro exatamente a primeira vez que nos vimos, mas lembro que sempre esteve por perto da nossa família. O elo que nos unia não era de sangue, Tio Zé foi agregado a nós ao amar minha querida titia Cida. Mas, o coração se encarregou de torna-lo um dos Santos.

Quando pequeno eu adorava espera-lo, sempre que chegava trazia um chocolate ou um doce. Andava de carro em um tempo em que poucos dos que eu conhecia o fazia, com ele, experimentei carroceria de caminhonete, naquela época não era errado. Também foi ele que me levou pra pescar pela primeira vez, alias, era o seu passatempo preferido.

Das suas qualidades recordo que gostava de fartura, seus churrascos eram sempre diversificados; também tinha um senso de direção quase instintivo, podia entrar duas ou três horas mar adentro e retornar ao mesmo ponto, sem usar qualquer aparato para isso, também tinha muita habilidade para o comercio e lidar com números, típicos da sua origem portuguesa.

Com minha tia viveu o amor, aquele tipo de amor que se dá independentemente das dificuldades e entraves da vida, que supera e cria “a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não”, uma cumplicidade para sempre, como diria o poeta “um amor que por encanto aconteceu”, simples assim.

Do fim, não quero falar muito, a não ser que partiu rapidamente, como quem vai a padaria e já volta, sem fazer alarde. Comeu um pão de queijo, como dos vários que vendeu em sua padaria e ficou consciente até o final, com dignidade.

Tio Zé, obrigado pelos momentos que vivemos juntos, sei que encontrou o caminho do céu com a destreza que possuía para caminhos, espero ter feito o possível para mostrar o quanto era querido para nós. Que Deus o receba e que ele consiga entender seu sotaque melhor do que eu, um abraço Tio Zé.
 
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

TÁ REGISTRADO!

Nem tudo que reluz é ouro
E seria muita inocência muié
Dizer que todo pote que TAPA É
Quando MAIS É NA verdade amido
Nem me condensa esse LEITE MOÇA
CATA O PIRIS de requeijão pra mim
Assim registrado na memória
O BOM BRILho que é lã deixou
DÁ NO NErvo bebendo yogurte
Lembrar que o PULLMAo já foi um pão
Em forma
E  que você bebeu TODINHO meu achocolatado?

Registrado, registrado
Eu quero ser nomes pra ti
Sendo assim quando quiser
Mesmo que leve tipo qualquer
Será uma versão ralé
Quando não sou perfeito
Tampouco sou mais um
Já me tornei conceito!

Pai de Clarice




quarta-feira, 27 de março de 2013

Poder para as minorias?


     Enquanto desperdiçamos nosso precioso tempo e argumento, para atacar ou defender respectivamente o pastor Marcos Feliciano e o deputado Jean Wyllys, acerca de um debate já gasto e cansativo sobre sexualidade e religiosidade, nossos governantes continuam suas atrocidades com a camada mais desprezada da nossa sociedade, a pobre.
     Quem assistiu aos telejornais ontem (26/03/2013), viu mais uma vez a tropa de choque ser utilizada para massacrar populares a fim de “reintegrar” a posse em um terreno no Jardim Iguatemi. Naquele local, encontram-se setecentas famílias que durante quase duas horas resistiram às investidas covardes da policia militar.
     As cenas atrozes ainda estão na minha cabeça, como a de uma mulher grávida atingida por uma bomba de gás e a de uma menina que se perdeu dos pais em meio ao corre-corre, ficando inerte dentro da confusão. Mas, a pior de todas as cenas é a do “proprietário” do terreno, um advogado, andando indiferente, meio aos protestos, chegando ao ponto de ofender aqueles que dele se aproximavam.
     Não sei o que me incomoda mais nessas situações, se é o policial, que não se enxerga no pobre e defende uma elite que ele jamais participará, tudo em nome de uma “ordem” que segue a lógica da manutenção da desigualdade. Ou se é a forma como nós preferimos não discutir essas coisas tão mais graves e nos apegar a debates que nos iludem, pois de importante não tem nada.
     Vejam bem, sinceramente, em um país onde o sujeito não tem direito nem a casa própria, vocês acreditam que o cargo de presidente da comissão de direitos humanos e minorias é algo realmente relevante? Façam-me o favor. Penso que religiosos e céticos se apegaram a esse debate para fazer aquilo que eles mais gostam, ou seja, doutrinar suas ideias, se exibirem, enfim.
      Desculpe-me a franqueza, mas enquanto vivermos um estado onde a grande maioria não desfruta de direito algum, fazer chilique pelo direito das minorias é no mínimo perda de tempo, pois se não nos vemos no todo, na classe explorada que somos, não vai ser fracionando-nos em minorias que vamos conquistar algum respeito.

Pai de Clarice







sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pessoas não são lagartas

    Nestes últimos dias, duas postagens de pessoas próximas, contendo um mesmo pensamento, me fez remoer e relembrar a minha posição sobre uma determinada questão acerca dos seres humanos. Pois bem, a frase citada é a seguinte:
Quem acredita em mudança é dono de transportadora”
    Assim dita, direta e reta, é uma afirmação forte e até contraditória em muitos aspectos, porém, penso que as coisas não podem ser resumidas de maneira tão simples, mas em grande parte concordo com a oração.
    Não posso negar que sou um esperançoso convicto, e por um lado, acho que ninguem morre da mesma forma a qual estreiou neste palco da vida, acredito na melhora do homem, em arrependimento,  crescimento e principalmente em aprendizagens. Tudo isso na area objetiva da vida, nos gestos e ações, porém, desconfio de que um individuo mude sua forma de sentir. Explico, creio por exemplo, ser possivel um fumante para de fumar, pois se trata de um vicio do corpo, porém, penso que viverá o resto da vida tentado a fumar, será um fumante latênte, em conflito consigo mesmo.
    Esse é só um exemplo qualquer e preconceituoso, mas foi o caminho curto que encontrei para tentar explicar como penso. Na verdade o que me aflige é ver muita gente esperar mudanças de pessoas que elas conheceram exatamente como são, sem mascaras, como se pelo seu desejo externo ela pudesse modelar o outro ao seu gosto. Pior, vejo pessoas acreditando que atitudes suas e fatos da vida mudarão o outro, o amadurecerá, o lapidará, o transformará...balela!
     Posso estar sendo cruel, em todo caso penso que as vezes é melhor deixar de esperar determinadas mudanças nos outros e fazer o movimento contrário, pessoas não são lagartas para virar borboletas. Então mudar as nossas perspectivas sobre o outro é uma  alternativa, pois a frustração geralmente nasce mais da nossa esperança gratuita do que da promessa alheia.
    Sei lá, só sinto estar vendo muita gente esperar morangos em pés de bananeira.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Clarice: Preciso falar de você!


    Existem textos que escrevemos umas mil vezes. Quase sempre penso (na verdade sei) que poderia me expressar melhor, falar mais bonito e coerente, enfim, o escrito nunca parece tão bom. Mas no caso deste texto-apelo, tive que aceitá-lo assim, depois de entender que jamais explicaria a sublime sensação que as emoções me proporcionaram e tampouco conseguiria fazer uma homenagem ajustada a um anjo.
    Veja bem, no dia dezesseis de Janeiro, exatamente as dezoito e vinte quatro, fui demolido, isso mesmo, imagina uma implosão humana, foi exatamente o que me sucedeu. Desde então tenho tentado achar as palavras que se ajustem e expliquem tudo que senti ao ver Clarice me ver, mas, ainda venho me remontando, emudecido, sou um homem-amor em construção, que só sabe sentir.
Minha filha! Apelo-te:
    “Clarice me devolva as palavras para que eu possa dizer o quanto você me faz renascer a cada choro na madrugada, o quanto me sinto humano ao embalar seu sono, ou a falta dele. Me ajuda a mostrar que não existe segundo mais feliz no mundo que aquele quando eu chego do trabalho e te encontro em paz, essa que você me oferta tão generosamente. Me ajuda a me mostrar, pra que saibam que com você existe mais esperança.
Meu anjinho me ensina a agradecer sua mãe, essa guerreira que tão bravamente fez o tudo necessário para te receber e até agora não consegui dizer o quanto a admiro e me orgulho por isso, me dê voz, eu quero um grito com tradução pra todos os povos, mas não tenho som, só tenho ternura, como se quisesse amar o mundo te amando, nos expondo em segredo e a salvo, minha Clarice...”
    Enfim, talvez, daqui alguns anos, eu me aproxime, encontre no vocabulário os verbos  que preciso, quem sabe até lá Clarice já poderá lê-las, ou talvez não. Melhor, pode ser que quando Clarice aprender a escrever eu a peça para me reensinar, pra que eu possa dizer para ela o como é lindo ser teu pai.
    Por fim, lhes deixo meu silêncio.

Pai de Clarice.





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Letras


E quando me contorço
  Torno-me dedos
    Traços e toques
      E quando em fundo branco
        Sou preto de tinta
          Um grito calado
            Olhos escutam
              A voz que garganta calou

E quando me exprimo
  Espremo
    Extremo
      Quero ser decifrado
        Não como som
          Mas como chama
            Bandeira de sonho
              Fotografia do pensar

Pai de Clarice


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

É claro que vi!

Questionaram meu voto e acharam absurdo. Será que estou cego? Ou será que estou surdo? Perguntaram se não vi na televisão o escândalo, a noticia, a corrupção. Disseram-me tolo e até burro. Será que não vi? Vi! É claro que vi!
Vi o escândalo da mala rosada que jamais foi julgado, vi as escolas estaduais virarem sucatas e prédios fantasmas, vi presidente chamando o povo de vagabundo por querer se aposentar aos sessenta, vi um governo vender Vale do Rio Doce e Telesp a preço de banana nanica passada, vi a terceirização comer solta, o desemprego explodir, é claro que eu vi!
Pra piorar vi prefeito deixar cargo, assumir vice. Vi a proibição do sopão da madrugada, da distribuição do livro gratuito nas calçadas, das placas de publicidade que enfeitavam a cidade, assim como é em Nova York e Tóquio. Vi morador de rua ser tratado com estorvo, pedras colocadas debaixo do viaduto pra espantar mendigos, nossa, como vi!
Vi GCM bater em skatista e camelô, vi a policia em SP ser caçada como barata enquanto o Rio de Janeiro teve humildade pra pedir ajuda federal e coragem pra enfrentar o crime organizado. Vi incêndio suspeito nas favelas em locais de forte especulação imobiliária. Meu Deus! Vi tanta coisa que não me deixei ser manobrado por um escândalo de ultima hora. Não dei meu voto esperando a perfeição, mas, um pouco mais de humanidade e uma nova perspectiva de se fazer nossa São Paulo. Se vai mudar não sei, mas, votei por discordar do como está e de tudo que vi.

Pai de Clarice


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Correntes. Para que te quero?

Se existe algo chato, irritante e sombrio nas redes sociais e e-mails, são as velhas e famigeradas correntes. Desde que me conheço por gente tenho recordações das mais distintas formas de criar mensagens de repasse obrigatório.
Quando era criança, estas circulavam em cartas, que nem sempre eram postadas pelo serviço de correio. Tratava-se de mensagens que diziam conter poder de benção ou desgraça sobre a vida do leitor, sua sorte dependeria da escolha do receptor repassar a mensagem ou não. Argumento tolo, mas muito funcional em um país supersticioso.
O tempo passou e como quase todo o resto as correntes se modernizaram, foram para os e-mails ainda mantendo a ideia primitiva, mas, logo, foram perdendo a força. Precisaram assim ser repaginadas e isso ocorreu de várias formas, começaram a partir para o apelo emocional, depois o da autoajuda, o da informação, do socorro e até fotos e mensagens bonitinhas.
Mas um problema se manteve na história das correntes, sua origem quase sempre é inverídica ou desconhecida, tornando se um campo fértil para brincadeiras e charlatanices, além de ser um meio fácil de propagar uma ideia ou um conceito, por vezes questionáveis.
Em fim, me arrepio hoje quando vejo um mesmo post em vários perfis distintos, pois, ou muitas pessoas andam pensando igual, ou andam refletindo pouco sobre o que postam. Para mim, compartilhar algo é assinar embaixo do que se colocou, é se responsabilizar, se tornar coautor de uma verdade ou cúmplice de uma mentira.

Pai de Clarice

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A educação vira palco


Agora que já estamos no segundo turno das eleições municipais em São Paulo, parece que o foco dos candidatos se voltou para a educação. Mas, por que esse setor tão desprezado pelas autoridades públicas se tornou o centro da disputa eleitoral? Veja só!  A educação, um dos setores mais adoecidos do nosso sistema publico aparecendo como palco de teatro para atores de quinta.

Por que não escolheram a saúde? Que também é precária. Ou então a segurança? Que todos nós precisamos. Ou talvez o transporte público, que está lastimável. Não! Nenhuma dessas necessidades aparece com tanta ênfase nas propagandas depreciativas e desqualificadas que acompanham nossos televisores.

Talvez, essa ênfase aconteça por um único motivo: A educação “mexe” com o cidadão de uma maneira diferente. Pois, enquanto saúde, transporte e segurança, aparecem como necessidades imediatas, necessárias para continuarmos a viver, de subsistência. A educação desponta com um elemento diferenciado, ela carrega em si a esperança, a possibilidade do amanha ser melhor que o hoje. A educação não é para nós é para os nossos, para além.

Não quero puxar a sardinha para minha brasa, mas sabemos que se “a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Por isso, peço RESPEITO. Pois quando se utilizam do sistema educacional como palco eleitoral, estão mexendo em um território sensível, onde muitos lutam e depositam suas perspectivas de inclusive, um dia poder votar em pessoas melhores.

Citação: Paulo Freire

 

Pai de Clarice