sábado, 25 de outubro de 2014

QUE CADA UM VOTE COM SUA HISTÓRIA DE VIDA


     Amanha é o dia da eleição mais “cornetada” dos últimos tempos em terras tupiniquins, isso tudo graças às redes sociais que se democratizaram e estão nas casas de muitos brasileiros. Percebo  entre meus amigos quais muitos diziam odiar a política, que hoje posicionam, se expõe e alguns até arriscam colocações especialistas com comentários abalizados por personalidades e etc. Mas não estou aqui para fazer criticas ou elogios aos meus convivas, mas sim, para deixar minha opinião sobre o que pode levar cada um a decidir o seu voto.

     Como já falei no titulo deste texto creio que cada indivíduo vota com a sua história de vida, pois apesar do Brasil ter levado mais de quinhentos anos para se configurar como hoje está e de não podermos reduzir seus fracassos e sucessos aos últimos vinte anos (PSDB/PT) é impossível desvincular aquilo que vivemos em nossos dias recentes na escolha nas urnas de amanha.

     Então vou falar um pouco da minha história partícula e nuclear, que envolve alguns de meus parentes, amigos e vizinhos. E entendam, explicar meu voto não significa que este seja um texto de militância:

 “Pois bem, em 2001 terminei os meus estudos no colégio estadual  Apparecida Rahal, naquele momento universidade não era um objeto muito plausível para pessoas na minha condição financeira, mesmo assim arrisquei-me a fazer algumas pesquisas. Fui até a Unicastelo (a mais acessível e próximo a minha residência), estava interessado em biologia, mas quando recebi o folder,minhas poucas esperanças desceram ralo abaixo. O preço era algo em torno de R$ 380,00 a mensalidade, já o meu salário de trabalhador informal (pois era assim que muitos jovens ingressavam no mercado de trabalho nestes tempos) era dez reais acima do mínimo quase R$ 180,00. A outra opção era a universidade pública, mas sabemos das condições desleais que um jovem formado nas escolas estaduais sofre para competir com os alunos dos grandes colégios particulares, reforçados por Anglos e Objetivos.

Fora isso, as condições na minha família também não eram das melhores, em casa éramos seis, meu pai, minha mãe e três irmãs mais velhas. Neste período, das minhas três irmãs, duas estavam desempregadas e quando arranjavam algo era geralmente temporário. Meu pai sustentava a casa com seu salário baixo e possuía um carro de 1984. Se a economia estava estável por um lado, com baixa inflação, por outro o nosso poder de compra era irrisório, bolacha, frios, danones e chocolates, esquece! A dispensa nunca ficou vazia graças a meu pai que sempre prezou por não faltar nada do básico (coisa de orgulho nordestino), mas de resto era um sufoco.

Pois assim tocamos a vida nestes tempos difíceis e tivemos de esperar dias melhores, não sei se pra você que lê estes dias chegaram, mas para minha família vieram. Em 2009 consegui em fim ingressar na universidade, a mesma Unicastelo que procurei anos atrás, só que agora eu tinha uma avaliação do Prouni e um salário acima de uma mensalidade escolar,  pagando metade do preço, não foi fácil, mas me tornei pedagogo. Porém, o mais legal para mim não foi essa conquista e sim ver ano passado o meu sobrinho de dezessete terminar o ensino médio e ingressar direto na universidade, sem essa demora e perda de tempo que eu e minhas irmãs tivemos (as três hoje estão cursando).

Seria egoísmo demais olhar somente fechado para o nosso umbigo, mas tenho vizinhos que partilharam na mesma situação a mesma condição e hoje alguns são engenheiros, outros nutricionistas e etc. Andam de carro zero, comem o que tem vontade, pagam sua casa ou apartamento como eu (tive subsidio federal para isto), e por ai vai.”

     Esse relato é um pouco das coisas que vi e vivi nestes últimos anos, percebo que nem tudo foram flores e merecíamos estar tendo um segundo turno amanha muito mais interessante do que se configurou. Mas, entre as opções que sobraram, jamais poderia ir contra a minha história, estarei com o PT e Dilma, mesmo com ressalvas e observações. Poderia ficar horas e inúmeras linhas falando das diferenças que encontro na minha vida de pobre hoje e a de pobre de quinze anos atrás, mas não tenho todo esse direito de lhes roubar tanto tempo assim. Também poderia falar como professor e a forma que o PSDB desrespeita e agride a nossa categoria, etc.

     Em suma, escrevi este texto para dizer que ficarei muito feliz se a minha convicção se confirmar com mais de cinquenta por cento das urnas amanha, porém o motivo maior é dizer que caso isso não aconteça eu respeitarei a democracia e não lançarei mão de criticas aqueles que não concordaram comigo, nem ficarei juntando pedras para tacar-lhes ao primeiro erro do seu candidato. Porém, peço o mesmo respeito aos meus adversários de urna, respeitem a história de cada um  caso seu voto não esteja do lado vencedor, se isso acontecer é por que talvez a sua história e sua opinião não são compatíveis com a historia e opinião daqueles que votaram do outro lado.

                                                                                                             
Um abraço!
Pai de Clarice






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sorri Antonio!

Ninguém disse que você era de aço?

Mas já disseram que o seu sorriso era de ouro

Ninguém disse que sua autoestima era inabalável?

Mas digo que seu caráter é firme!

 

E sobre as dívidas não pagas

Sobre as palavras não ditas, mas sentidas.

Sobre o olhar de desdenho?

Sorri Antônio!

Pois o vento que leva o equilibrista a lona

É o mesmo que oferece um novo prisma,

Outras possibilidades.

A queda machuca, muito!

 

E sobre a mesa vazia

Sobre o copo seco

Sobre as ausências dos convivas.

Sorri Antônio!

Seus pais sorriram.

Seu avô um dia sorriu, você não sabe.

Não ouça tua mãe dizer: Cala esta boca menino!

Sorri Antônio!

 

A lista de motivos é grande,

A de amigos, nem tantos, mas fieis.

Você fez por merecer cada sorriso contido.

Cada aluno agradecido

Faz do seu chuveiro plateia.

Sorri Antônio!

Homem também sorri

Seja ele forte ou fraco

Qualquer Antônio sorri,

Mesmo que doa.


Porque eu estarei sorrindo com você!
 
(A. Z. Silva e Pai de Clarice)
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Parabéns para mim

Eu quero um pote de doce
Uma volta na praça
Um beijo na maça do rosto
Eu quero um gosto

Eu quero som de palma batida
Poder esquecer a contagem
Zerar o relógio é pouco
Eu quero raspar massa do bolo

Cobertura ou recheio?
- Eu quero os dois!
Comer de garfo e colher
Carinho mãe e amor mulher

Eu quero esvaziar
Cantar em verso invertido
Ver meu time ganhar
Quero permissão pra gritar

Hoje eu quero hoje
Pensar dói e planejar cansa
Então eu quero rá-tim-bum

Happy birthday pra mim e obrigado to you


Pai de Clarice




sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um abraço Zé


A partida de um parente é sempre dolorosa, a sensação de vazio ocupa todo espaço e por muitos momentos ficamos pensando o sentido das coisas e a fragilidade da existência... Até que nos confortamos,aceitamos a ideia de que o descanso e a paz eterna alcançaram aquele que amamos.

Dessa vez, quem nos deixou foi o Zé. Para mim o Tio Zé. Não me lembro exatamente a primeira vez que nos vimos, mas lembro que sempre esteve por perto da nossa família. O elo que nos unia não era de sangue, Tio Zé foi agregado a nós ao amar minha querida titia Cida. Mas, o coração se encarregou de torna-lo um dos Santos.

Quando pequeno eu adorava espera-lo, sempre que chegava trazia um chocolate ou um doce. Andava de carro em um tempo em que poucos dos que eu conhecia o fazia, com ele, experimentei carroceria de caminhonete, naquela época não era errado. Também foi ele que me levou pra pescar pela primeira vez, alias, era o seu passatempo preferido.

Das suas qualidades recordo que gostava de fartura, seus churrascos eram sempre diversificados; também tinha um senso de direção quase instintivo, podia entrar duas ou três horas mar adentro e retornar ao mesmo ponto, sem usar qualquer aparato para isso, também tinha muita habilidade para o comercio e lidar com números, típicos da sua origem portuguesa.

Com minha tia viveu o amor, aquele tipo de amor que se dá independentemente das dificuldades e entraves da vida, que supera e cria “a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não”, uma cumplicidade para sempre, como diria o poeta “um amor que por encanto aconteceu”, simples assim.

Do fim, não quero falar muito, a não ser que partiu rapidamente, como quem vai a padaria e já volta, sem fazer alarde. Comeu um pão de queijo, como dos vários que vendeu em sua padaria e ficou consciente até o final, com dignidade.

Tio Zé, obrigado pelos momentos que vivemos juntos, sei que encontrou o caminho do céu com a destreza que possuía para caminhos, espero ter feito o possível para mostrar o quanto era querido para nós. Que Deus o receba e que ele consiga entender seu sotaque melhor do que eu, um abraço Tio Zé.
 
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

TÁ REGISTRADO!

Nem tudo que reluz é ouro
E seria muita inocência muié
Dizer que todo pote que TAPA É
Quando MAIS É NA verdade amido
Nem me condensa esse LEITE MOÇA
CATA O PIRIS de requeijão pra mim
Assim registrado na memória
O BOM BRILho que é lã deixou
DÁ NO NErvo bebendo yogurte
Lembrar que o PULLMAo já foi um pão
Em forma
E  que você bebeu TODINHO meu achocolatado?

Registrado, registrado
Eu quero ser nomes pra ti
Sendo assim quando quiser
Mesmo que leve tipo qualquer
Será uma versão ralé
Quando não sou perfeito
Tampouco sou mais um
Já me tornei conceito!

Pai de Clarice




quarta-feira, 27 de março de 2013

Poder para as minorias?


     Enquanto desperdiçamos nosso precioso tempo e argumento, para atacar ou defender respectivamente o pastor Marcos Feliciano e o deputado Jean Wyllys, acerca de um debate já gasto e cansativo sobre sexualidade e religiosidade, nossos governantes continuam suas atrocidades com a camada mais desprezada da nossa sociedade, a pobre.
     Quem assistiu aos telejornais ontem (26/03/2013), viu mais uma vez a tropa de choque ser utilizada para massacrar populares a fim de “reintegrar” a posse em um terreno no Jardim Iguatemi. Naquele local, encontram-se setecentas famílias que durante quase duas horas resistiram às investidas covardes da policia militar.
     As cenas atrozes ainda estão na minha cabeça, como a de uma mulher grávida atingida por uma bomba de gás e a de uma menina que se perdeu dos pais em meio ao corre-corre, ficando inerte dentro da confusão. Mas, a pior de todas as cenas é a do “proprietário” do terreno, um advogado, andando indiferente, meio aos protestos, chegando ao ponto de ofender aqueles que dele se aproximavam.
     Não sei o que me incomoda mais nessas situações, se é o policial, que não se enxerga no pobre e defende uma elite que ele jamais participará, tudo em nome de uma “ordem” que segue a lógica da manutenção da desigualdade. Ou se é a forma como nós preferimos não discutir essas coisas tão mais graves e nos apegar a debates que nos iludem, pois de importante não tem nada.
     Vejam bem, sinceramente, em um país onde o sujeito não tem direito nem a casa própria, vocês acreditam que o cargo de presidente da comissão de direitos humanos e minorias é algo realmente relevante? Façam-me o favor. Penso que religiosos e céticos se apegaram a esse debate para fazer aquilo que eles mais gostam, ou seja, doutrinar suas ideias, se exibirem, enfim.
      Desculpe-me a franqueza, mas enquanto vivermos um estado onde a grande maioria não desfruta de direito algum, fazer chilique pelo direito das minorias é no mínimo perda de tempo, pois se não nos vemos no todo, na classe explorada que somos, não vai ser fracionando-nos em minorias que vamos conquistar algum respeito.

Pai de Clarice







sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pessoas não são lagartas

    Nestes últimos dias, duas postagens de pessoas próximas, contendo um mesmo pensamento, me fez remoer e relembrar a minha posição sobre uma determinada questão acerca dos seres humanos. Pois bem, a frase citada é a seguinte:
Quem acredita em mudança é dono de transportadora”
    Assim dita, direta e reta, é uma afirmação forte e até contraditória em muitos aspectos, porém, penso que as coisas não podem ser resumidas de maneira tão simples, mas em grande parte concordo com a oração.
    Não posso negar que sou um esperançoso convicto, e por um lado, acho que ninguem morre da mesma forma a qual estreiou neste palco da vida, acredito na melhora do homem, em arrependimento,  crescimento e principalmente em aprendizagens. Tudo isso na area objetiva da vida, nos gestos e ações, porém, desconfio de que um individuo mude sua forma de sentir. Explico, creio por exemplo, ser possivel um fumante para de fumar, pois se trata de um vicio do corpo, porém, penso que viverá o resto da vida tentado a fumar, será um fumante latênte, em conflito consigo mesmo.
    Esse é só um exemplo qualquer e preconceituoso, mas foi o caminho curto que encontrei para tentar explicar como penso. Na verdade o que me aflige é ver muita gente esperar mudanças de pessoas que elas conheceram exatamente como são, sem mascaras, como se pelo seu desejo externo ela pudesse modelar o outro ao seu gosto. Pior, vejo pessoas acreditando que atitudes suas e fatos da vida mudarão o outro, o amadurecerá, o lapidará, o transformará...balela!
     Posso estar sendo cruel, em todo caso penso que as vezes é melhor deixar de esperar determinadas mudanças nos outros e fazer o movimento contrário, pessoas não são lagartas para virar borboletas. Então mudar as nossas perspectivas sobre o outro é uma  alternativa, pois a frustração geralmente nasce mais da nossa esperança gratuita do que da promessa alheia.
    Sei lá, só sinto estar vendo muita gente esperar morangos em pés de bananeira.